A verdade é que às vezes me esqueço de mim. Faço planos, sonhos, mas me esqueço de mim. E, sem mim, nada que é meu tem vida: nem meus sonhos, nem meus planos.
A janela embaçada esconde meu rosto na neblina. Na metrópole onde todos são invisíveis, não faz mal se esconder. Quando você se esconde, não quer ser encontrado, é como se fosse mais fácil ganhar olhares de desconhecidos.
As pessoas perdem o hábito de se olharem nos olhos. É quase uma afronta fitar o desconhecido que divide espaço com você no transporte público. Mas, no carro, tudo bem. É um pedacinho da privacidade que você divide com os outros no trânsito: um farol fechado e aquele segundo que você coçava o nariz fica marcado na memória breve do motorista ao lado. Que ri.
Esqueci-me de mim. Deixei muita coisa de lado e passei a viver a vida que eu sempre condenei nesta cidade - a vida por acidente, que é vivida e não pensada. Você simplesmente deixa tudo passar, tudo acontecer, e quando percebe, o tempo passou.
Após um final de semana de reflexões, resolvi acordar. Vou me esconder mais um pouco para trabalhar a multidão que mora em mim... tentar olhar os personagens urbanos paulistanos com o olhar de alguém que se esconde, mas não de mais de si mesma.
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Voltei.
Voltei.
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