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terça-feira, 4 de outubro de 2011

Sinais vazios

Com a inauguração da fase dois da linha amarela do metrô de São Paulo, a rede se expandiu em mais 9 quilômetros. Estima-se que 75 mil pessoas a utilizam todos os dias, e elogios são frequentes - seja sobre o conforto dos trens, fabricados na Coreia do Sul, e sobre o alcance da via, do Butantã até o Centro.

A Linha registrou uma falha operacional da manhã desta segunda-feira, 3, que deixou a mesma inoperante das 4h40 às 8h30 da manhã. Muita gente ficou na mão. À noite, quando a linha voltou a funcionar, fui uma desses milhares de passageiros e fiz #aloca do celular com câmera para registrar uma falha nas entrelinhas, ou melhor, na linha mesmo. Que me deixa incomodada.

A primeira estação da linha amarela foi inaugurada em maio do ano passado. É tudo muito novo, de última geração. Não há como negar - as estações são belíssimas e os trens muito confortáveis, amplos, com ar condicionado, baixo ruído, rápido. E o trajeto ligado por baixo da terra, do Butantã até a Luz, é feito em menos de 15 minutos... muito eficiente.

Mas a sinalização...

No começo do ano passado, a sinalização das estações das linhas azul, verde e vermelha está sendo adaptada para o padrão internacional. Isso significa que as mensagens que ajudam no fluxo de passageiros são padronizadas assim:


Todas as fotos são da estação Santana, da linha azul

Agora, quando eu ando pelas estações da linha amarela... todas novinhas... foram inauguradas quando o metrô já trabalhava na sinalização internacional... não entendo por que raios tudo está assim:

!!!!!!!!!!!!!!!!!

Cadê os ícones? Cadê as palavrinhas em inglês? Cadê as instruções didáticas pra todo mundo se orientar?

Alguém duvida que eles vão gastar mais uma grana pra alterar tuuuuuuuuudo isso??? Por que já não fizeram do jeito que tinha que ser feito?????

Ê, Braziu.

E antes de acabar, só dividir uma imagem que eu vejo sempre que chego em Santana.


Que informações, meu????



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Curiosidade 1: Levei um tombo na escada rolante 
porque a mesma parou do nada. Desci rolando até um cara me parar.
Curiosidade 2: Tem sinalização errada na Estação Butantã - flecha
indica para descer na escada para embarcar sentido Luz,
mas a escada na verdade está subindo.
Curiosidade 3: Esta é a postagem de número 100 do SP em Pauta! Eeee!

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Tom no túnel


Melodia que embala, ritmo que revela, sons que desafiam, conversas que afinam o tom. Não é uma sala, ou um conservatório: é uma estação de metrô.

Santana, Luz, Barra Funda, Sé. Fabricados pela Fritz Dobbert e doados pela Cinemagia, os pianos verticais  pausam o passo compassado da pressa paulistana. Pessoas que param para escutar e se deixar levar depois de chegar ou antes de ir. Qualquer um.

Aqueles que se acanham em se aproximar fingem que esperam alguém ao lado das catracas. Mas os olhos distantes não buscam alguém no vai-e-vém - estão parados, à deriva, abertos porém cegos para aguçar os ouvidos e se deixar invadir pelo som.

Não há previsão para retirada dos pianos das estações. Ainda bem.
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Acho lindo e sempre paro pra ver mesmo...
E o que eu acho mais lindo são imagens sem personagens.
É pra ser qualquer um. O piano é das pessoas.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Vapor barato, violência gratuita

Minutos antes, conversava com uma amiga sobre como eu reclamava com pessoas folgadas no metrô. Empurrou? Falo mesmo: "não empurra!". Depois da baldeação, mudei de ideia. Não solto mais faíscas de estresse provocado pela caótica São Paulo.

Na última segunda-feira presenciei como o vapor barato se transforma em violência gratuita. Em mais um dia de "devido à falha na altura da estação [desta vez, Sé] da linha azul, os trens estão circulando com velocidade reduzida e maior tempo de parada", na conexão com a linha verde, aquele mar de gente.

Mesmo atrasada, pego o trem no sentido contrário para entrar no vagão em paz e sem empurrões. Quando o trem chega, de novo, na estação Paraíso, foi aquele empurra-empurra. Até que dois caras começaram a se olhar torto e bater boca.

De nada adiantou tanto grito de deboche vindo dos outros passageiros. De nada adiantou a multidão espremida ali, menosprezando as atitudes.

Vai se foder.
Vai você!
Você vai apanhar!
Ah é, seu cuzão?

[As portas se abrem e uma clareira também, enquanto uns descem, outros gritam, os dois caem.]

Lamentáveis socos, pontapés, marmanjos rolando no chão e duas almas bondosas se machucando para separar. Eram quase 9 horas da manhã na estação Brigadeiro.

Quando percebi, chorava sozinha nas escadas rolantes em direção à Paulista. Nem o caos, nem a multidão, nem o empurra-empurra, nem o estresse, nem o calor abafado, nem o fedor justificam esse tipo de explosão de raiva. Paulistanos que têm a vida muito triste.

Não solto mais faíscas. Elas incendeiam rapidamente. A partir desse dia, quem vier com tanta truculência urbana, ganha um humilde "desculpe-me, não tinha a intenção". Pode ser bobagem, mas, no momento, é minha última esperança.


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Demorei um dia para digerir o que vi. E ainda estou impressionada.
Vapor barato porque a primeira coisa que me veio à cabeça é
"sim, eu estou tão cansado" e "tão à flor da pele".
E pela efemeridade do vapor, que num instante se desfaz.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Caos subterrâneo

Um problema na região da estação Liberdade causou lentidão dos trens da linha azul e maior tempo de parada nas estações. Foi assim que a assessoria de imprensa do metrô de São Paulo explicou a superlotação nas estações na manhã desta quinta-feira.

A falha aconteceu por volta das 7h e, ainda segundo a assessoria, antes das 7h10 já estava normalizada. A falha foi consertada, o problema subterrâneo, não.

Imaginem que um atraso de dez minutos afeta toda a linha - quando um trem para, o outro não pode seguir. O metrô possui trens a cada 3 minutos em horário de pico - logo, foram 3 trens. Em dias normais, pessoas aguardam na plataforma porque trens estão lotados, não conseguem embarcar. O metrô já é cheio. Multiplicar toda essa gente por três e adicionar vagarosidade em túneis escuros e sem ventilação é loucura.

Como eu publiquei no meu twitter, vi gente chorando, desmaiando, sendo pisoteada. Um casal de cegos não conseguiu descer na estação Luz - por causa da integração com trens da CPTM, teve catracas bloqueadas para impedir as pessoas de chegarem à plataforma do metrô, que não comportava mais ninguém.

Não consegui avisar minha chefe, as linhas de celular estavam congestionadas. A moça ao meu lado recebia mensagens da amiga dizendo que o chefe estava impaciente pelo seu atraso. Pobre coitada, não conseguiu responder de três celulares emprestados, porque o dela estava sem crédito e a mensagem "rede ocupada" insistia em aparecer na minitela mobile. Por ironia, ela era operadora de telemarketing... será que vai ter o salário do mês reduzido por causa disso?

A linha vermelha e verde foram afetadas - todas as linhas atualmente se interligam na região central, próxima de onde houve a falha. Faltam linhas, falta vazão a milhões de pessoas que atravessam a cidade para trabalhar: consequência do crescimento desornado da metrópole.

Para completar, um recipiente deixado na ponte do Limão, na zona norte da cidade, despertou o alerta dos bombeiros pela possibilidade de bomba (quem é que explodiria a ponte do Limão, meu Deus???).

Vagaroso.

Ok, entendo que uma falha acontece, acidentes acontecem, não há horário para isso. Mas... acho que é um excelente motivo para repensarmos na falta de alternativas de transporte público em SP. Já é hora. Reflitam bastante sobre isso e sobre outros problemas da cidade, muito mesmo, e façam alguma coisa relevante ano que vem, por gentileza.

sábado, 11 de julho de 2009

Túnel do tempo


Túnel do tempo?
Eu o vi, eu o vi!, quando a retroescavadeira se afastou!
“Ah, dona Diana, sinto muito, mas a retroescavadeira vai ter que voltar...”
Apaga-se a luz.
Só fico então com as linhas enroladas, escuras, enrolando-se no túnel.
“Só mais um pouco e a retroescavadeira sai, dona Diana, só mais um pouco.”
E sai.
E então, impulsionada por força que não sei explicar,
sinto o nanquim pegar em minha mão, e, juntos, em gestuais concêntricos,
vamos girando pelo túnel, girando, girando, até atingirmos a luz no fim do túnel...


Descobri as aquarelas e os textos de Diana Dorothéa Danon por acaso, procurando os horários do transporte público em São Paulo no site do metrô. Ela expressa o andamento das obras de expansão do sistema de transporte por meio de retratos sensíveis, capazes de congelar a efemeridade das cenas das obras urbanas. Um tesouro de sensibilidade.

Não é segredo que sou fã do metrô de São Paulo e quero muito o fim dessas obras. Quero novas linhas, novos projetos. Acho que a solução para o trânsito dessa cidade é furar mesmo todo seu subsolo e construir linhas intermináveis, para todos os cantos e direções. Simultaneamente, claro, a uma conscientização das pessoas que é necessário deixar o carro em casa - principalmente aos dias úteis.

Eu, que espero ansiosamente o fim do ano para comprar meu carro, sobrevivi a um feriado e a uma sexta-feira passeando de metrô e ônibus, fui até a Osasco. Sei que é preciso andar de transporte público para o trânsito fluir. E que, se as pessoas não pensarem assim, quando eu comprar finalmente o meu possante, não haverá espaço para ele nas ruas. O paulistano deve entender que o automóvel nem sempre é a melhor opção - e me preocupo se eu vou continuar pensando assim quando estiver ao volante.

Conheça o trabalho de Diana aqui.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Intrigas

Não podia aceitar... era um absurdo. Como assim, ela, depois de cinco anos, teve a coragem de falar tudo o que disse, na cara, sem vergonha, sem pensar em tudo que a outra tinha feito?

Desculpa... quer que e... segura? Tá...

Depois que a outra deu carona e, por meses, não cobrou nada. Tudo bem que era caminho, mas senta aqui, por favor... tudo bem... tinha que ficar esperando a menina se arrumar, tomar banho... e demorava! Uma vez, quando ela acordou atrasada, tá atrapalhando? esperou mais de meia hora na calçada de faixa amarela. E, obviamente, chegaram atrasadas no pode por aqui, senhora serviço. O chefe não quis nem saber: deu a advertência sem escutar explicação. Ela teve que trabalhar no final de semana e a bonitona, não.

Um mês depois chega a multa... não é pra sentir raiva??? Não, pode falar, não é???

Dá licença? Moço eu preciso passar.

Pode parecer assim, ouvindo, pouco. Mas para ela deu. Cobra. Ridícula. Vaca. Haja santa paciência! Ninguém merece. Depois tentou até proc...


Sé.

Fosse o namorado roubado, a conta atrasada, o empréstimo devido, o emprego cobiçado. Não sei. Quando porta se abriu, testemunha e vítima se foram pelo lado esquerdo do trem.

sábado, 23 de maio de 2009

O Paraíso é um inferno...


Estação Paraíso do metrô de SP, sentido Turucuvi, sexta-feira (22), 18h15. Cinco trens depois, eu embarquei.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Presa no Paraíso

Sempre fui fã do Metrô de São Paulo. Apesar da superlotação de passageiros nos horários de pico (principalmente na , Luz e Paraíso), acredito que o metrô é a solução para o trânsito caótico da cidade.

É limpo, é seguro, é rápido, é barato. Por isso escolhi o Metrô para voltar da festa de um amigo, nos Jardins, na terça-feira (12). Já era quarta quando embarquei na estação Consolação, às 0h15min, com uma amiga. Ficamos tranquilas porque chegaríamos em Santana sãs e salvas - afinal, para duas mocinhas do interior, o desconforto de andar por SP de madrugada é inevitável.


Metrô 5
Estação Sé fora do horário de pico: poucos passageiros na plataforma.

Chegamos na estação Paraíso às 0h30min. Durante a semana, faço esse percurso em exatos 3 minutos... mas tudo bem, afinal, neste horário a quantidade de trens em circulação é menor. Pois que esperamos mais uns quinze minutos quando anunciaram...

"Atenção... não existem mais carros indo para a estação Tucuruvi. Atenção, NÃO existem mais carros indo para a estação Tucuruvi."

Pânico. Procuro um funcionário, que me diz "quando você embarca depois da meia noite, não dá para garantir". Surtei. Como assim ninguém fala nada na hora que você embarca? Sempre achei que, uma vez lá dentro, era garantia que chegaríamos no destino. E achei a justificativa de extremo desrespeito.

Resultado: peguei o metrô de volta pra estação Consolação... inconsolável. E, de lá, peguei o último ônibus até a minha casa. Frustrada, R$ 2,55 mais pobre e o pior: decepcionada com o Metrô, que até então de mim ganhava tantos elogios rasgados.