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sexta-feira, 13 de maio de 2011

A rua mastiga os homens, o asfalto, cimento

Assim um Guilherme contemporâneo releu um dos poemas do Guilherme paulista, modernista de 22 e constitucionalista de 32. E a cidade mastigada, perdida entre edifícios de concreto e vias que correm tortuosas pelo bairro do Pacaembu, esconde ali no alto da colina uma casa que transpira arte e memória. “A estrada sobe, pára, olha um instante e desce...”

Construída em 1946 na rua Macapá, era chamada carinhosamente por Guilherme de Almeida de A Casa da Colina. Longe do movimento paulistano, o aconchego do poeta e jornalista Guilherme de Almeida e sua esposa, Baby de Almeida, era cenário também dos encontros de Tarsila do Amaral, Oswald de Andrade, Anita Malfatti, Victor Brecheret e tantos outros nomes modernistas da São Paulo de 1922. Nomes ainda vivos nas paredes das salas, em pinturas deslumbrantes. Ou em livros nas estantes, empoeirados, que guardam em si a literatura rabiscada de memória. "Quase todos os livros têm anotações do Guilherme", confessou a bibliotecária.


Guilherme de Almeida observou a cidade chegar perto. Em um dos seus textos, descreve com melancolia o aproximar das pessoas, das britadeiras, do asfalto, cortando o sossego do seu espaço na colina. Hoje, tombada pelo patrimônio histórico nacional, podem vir britadeiras e asfaltos que a casa continuará intocável, aberta para olhos curiosos nas visitas guiadas de terça a domingo. O espírito e a atmosfera é tão intensa que, a cada corredor, é como se Guilherme fosse abrir a porta e chamar alguém.

Ele foi o príncipe dos poetas, título este dado a apenas um escritor por geração - não coexistem indivíduos com tais títulos. Sensível, ganhava a vida escrevendo crônicas para O Diário de São Paulo e fazendo traduções de obras literárias. Em 1932, participou ativamente da Revolução Constitucionalista. Preso e exilado em Portugal, voltou ao Brasil e morreu em sua casa.

Hoje repousa no Obelisco do Ibirapuera, junto de outros constitucionalistas. Os dizeres ali chanfrados são de sua autoria, assim como o hino ao Estado de São Paulo. Se é lembrado? Pouco. Mas memórias e lembranças, muitas, estão ao alcance de quem quiser ver.




Casa Guilherme de Almeida
Rua Macapá, 187 - Pacaembu



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Vale muito a visita. MUITO. Com exceção da foto do poema,
todas são de minha autoria em uma oficina de fotografia da Bella Valle 
que participei lá no último final de semana. 
O local promove atividades culturais em torno da obra do escritor. 
A última foto foi minha preferida e ilustra o texto "Escada da Minha Mansarda",
cujo trecho reproduzo aqui.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Sobre escrever: Impressões Paulistanas

A ilustração achei aqui. Alguém sabe de quem é? Adorei.

Estou trabalhando em uma matéria especial sobre São Paulo para uma revista gringa (quando estiver tudo ok, dou mais detalhes e posto aqui pedaços do trabalho). Por isso, tenho a talvez difícil missão de escrever sobre a cidade e seus conterrâneos para quem talvez não faz ideia do que é esta loucura.

É muito nebuloso arriscar falar de São Paulo para alguém que nunca pisou aqui, sequer tenha presenciado o que é nem mesmo o Brasil. Não que esteja contando com a ignorância alheia - mas sabemos bem que, antes de pisar em alguma cidade, temos uma visão estereotipada e até mesmo "vendida" do que se vê e faz. Quero dizer que construímos um cenário ideal baseado no que lemos, assistimos, ouvimos, que não necessariamente reflete o cotidiano e os hábitos do lugar.

Se considerar que mesmo ao visitar estes lugares passamos por eles em uma atividade subjetiva, construímos um conceito baseado  no recorte que ali vemos e vivemos, imagine só! Enquanto turista, você tem experiências curtas, mas determinantes na ideia que você vai construir sobre o lugar, sobre as pessoas - além de ligada fortemente às questões emocionais, talvez num universo "ideal" e "paralelo" dessa vida turista.

Explico: o europeu lê que o metrô paulistano é super eficiente, limpo, um dos melhores do mundo - inclusive ganhador do prêmio The Metro como o melhor das Américas em 2010. Hospedado na região da Paulista, ele resolve pegar o metrô até o centro de São Paulo pra tomar um café da manhã no Mercadão, caminhando da estação São Bento (linha azul) até o destino final. Às oito da manhã de uma sexta-feira. *delícia*

Mesmo no contra-fluxo, ele vai sentir na pele o empurra-empurra de todas as manhãs. E com uma certa porcentagem, tenho certeza que ele vai amaldiçoar a publicação que escreveu tudo isso sobre o transporte paulistanos sem mencionar os horários de pico e a palavrinha estratégica: EVITE. Pode parecer óbvio para quem é daqui, mas são estes detalhes que fazem a diferença. É um exemplo banal, mas é mais comum e mais ligado a tantas coisas do que se possa imaginar.

É um passatempo desvendar os cantos da cidade, uma experiência gostosa falar sobre eles para leitores do meu blog, mas um desafio traduzir com aquela dose de realidade e interesse em uma publicação mais séria - não que aqui falte seriedade, mas de acordo com as estatísticas do Analytics (o super stalker da vida 2.0), 80% dos meus visitantes são daqui. Fica muito mais fácil.

De todas as maneiras, pra mim é fascinante: recortar a vida e os fatos e transformá-los em fábrica de imaginação tanto pra quem pensa em visitar, como para quem é apenas curioso e se alimenta de informação. Tenho pensado nisso e vou contaminar o blog daqui pra frente com alguns destes detalhes - afinal, 20% pode nunca ter visto Sampa fora da tela da TV, e a internet é livre, gigante, aberta. :)


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Tenho aprendido muito com esse trabalho
e tido muitas ideias para pautas do blog.
Será que me disciplino a escrever e postar
mesmo com tanto trabalho?

sábado, 16 de abril de 2011

Quando São Paulo vira um grande palco

Já é o sétimo ano de Virada Cultural em São Paulo - e todos sabem que, por 24h, a cidade recebe diversos (muitos MESMO) espetáculos artísticos culturais gratuitos em palcos temáticos espalhados pelo centro expandido.



O evento já trouxe Maria Rita, Céu, Marcelo Camelo, Zeca Baleiro, Novos Baianos grupo de dança O Corpo e outros inúmeros nomes de peso do cenário cultural histórico e contemporâneo da cidade. Este ano, a programação está menos recheada destes nomes - destaco Rita Lee, Erasmos Carlos e Tiê, artistas de repertório bem distintos, mas que têm uma certa visibilidade maior na cena cultural e que podem atrair mais o público.

A grande desvantagem, no meu ponto de vista, dessa falta de apelos mais conhecidos, é atrair menor público potencial pra quem está no começo. Porque assim - o cara que vai ver a Rita Lee acaba chegando um pouco antes e por tabela acompanhando a apresentação anterior. E fica um pouco depois, também. E assim pode se apaixonar pelo trabalho de alguém que ele então não conhecia.

A aposta inédita deste ano é um palco de stand up comedy - será que vai funcionar num espaço aberto? Na onda da moda deste tipo de apresentação, nomes muito conhecidos, como o CQC Danilo Gentili e o humorista Fábio Porchat. Será no Viaduto do Chá, no Anhangabaú, e eu aposto que vai ser um dos mais lotados do evento.

Que a Virada é uma opção pros jovens paulistanos, sem dúvida é. Mas não me lembro de ver, nesse tipo de evento, pessoas mais velhas - o que é uma pena. Estive em Madrid durante a "virada cultural" deles - que lá se chama La Noche en Blanco. A programação é tão intensa quanto, tão diversa quanto a paulistana. E famílias inteiras passeavam de madrugada nas ruas e becos do centro, no meio das avenidas interditadas para carros, em busca de alguma coisa legal. Em um dos palcos, quando passamos, estava um grupo de bolero e vários casais de meia-idade dançavam, embalados pelas lembranças da juventude. Lindo, lindo (mas resolvemos seguir em frente e participar de um Twister gigante, Hahahaha!!!).

Já em Bruxelas, La Nuit Blanc pra mim foi um fiasco. Não conseguimos encontrar uma apresentação sequer, andei muito e os lugares eram esparsos. Fazia frio... acho que o sucesso desse tipo de evento vem muito da herança cultural de cada povo, de cada cultura e de cada época em que ela está inserida - e nisso se inclui, claro, a minha percepção da virada belga. Pode ser que eu, a polonesa e a francesa que estavam comigo não entendemos muito bem o espírito da coisa e não encontramos nossa maneira de diversão.

Voltando ao Brasil, neste final de semana o transporte público sofreu alterações. Metrô e CPTM funcionam por toda a madrugada e linhas de ônibus foram alteradas. Ainda dá tempo - estude sua logística e aproveite algum programa que te agrada, ou conheça o trabalho que você ainda não conhecia.

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Bom, limpando a barra por não conseguir postar
as três resenhas do SP Restaurant Week - formatei meu note e fiquei
sem office e a suite Adobe. A Thais que me salvou, agora to passando
vergonha na cara e filtro solar antes de sair de casa.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Catalunya é aqui!

Há cerca de uma semana, a cidade ganhou um novo bar: o Gràcia, que leva o nome do menor distrito de Barcelona, capital da Catalunha - que é a região localizada no sudeste da Espanha. Por mais que existam algumas casas espanholas em São Paulo, este é o primeiro bar que eu conheço que tem realmente o foco na diversidade dentro de uma subcultura do país. Subcultura não por ser menor, mas por estar englobada no macro espanhol mas, ao mesmo tempo, ser totalmente diferenciada e não fazer parte totalmente do país. Isso porque a Catalunha não é Espanha, é Catalunha - possui um governo independente e todo um estilo de vida próprio.



A maneira que o bar reflete a diversidade, o colorido e as formas da arquitetura de Gaudí, grande ícone de Barcelona, é muito interessante. Elementos na mobília trazem padrões inspiradores, do mesmo estilo daqueles encontrados também na Casa Battlò. Claro que bandeiras da região decoram várias paredes (a listrada vermelha e amarela, como no brasão do Barça, time europeu do coração!), assim como as ruas de Barça são coloridas pelo mesmo padrão. Mesmo tendo bem delineado a diferença, o bar respeita a tradição não separatista nestes símbolos, pois a flâmula que indica a rivalidade maior traz um triângulo azul, como esta aqui.

O cardápio é charmoso, escrito em catalão - porque na região predomina esta língua, que pode ser definida grosseiramente como uma mistura entre o espanhol e o francês, evidenciadas em palavras como bona nit – Boa noite / moltes gràcies - muito obrigado. Coisa louca, né?

Os preços são justos - os "tapas", petiscos e comidinhas em porções para beslicar, um retrato onipresente da cultura botequeira do país, variam de R$ 20 a R$ 30. Para beber, sangría (R$ 8). Se for um amante da cerveja, entretanto, não se empolgue - o lugar oferece apenas Itaipava (R$ 3,50 long neck). A falha grave do lugar ficou apenas para a trilha sonora, que se rende ao comercial pop de FM: música eletrônica arroz com feijão e poprock de todo dia. Sem gracinha pra tanta empolgação!

Inevitável não reviver na memória os momentos e impressões quando estive por lá, em setembro do ano passado. Não foi, sem dúvida, uma das minhas cidades preferidas que conheci na Europa. Mas o ambiente é tão bem construído que é capaz de trazer à tona as melhores sensações.


Há quem diga que é uma das cidades mais bonitas da Europa, mas particularmente, não achei. É suja, é poluída, tem muitos imigrantes marginalizados (já assistiram Biutiful? Essa é a visão que eu tenho de lá), muitos problemas estruturais. E, mesmo assim, antes da Olimpíada de 1992, a cidade tinha ainda mais problemas - pois foi conhecida como um dos principais projetos bem sucedidos de revitalização por meio do evento esportivo. Torcemos para que no Rio aconteça a mesma coisa.


Mas é de impressionar, principalmente o trabalho arquitetônico, cuja expressão máxima está na Sagrada Família - o que eu mais gostei de lá. Uma igreja grandiosa desenhada por Gaudí, cujo trabalho é tão complexo que ele enlouqueceu debruçado nas obras. De acordo com o projeto original, demoraria décadas ainda para ficar pronta. Uma obra-prima da arquitetura moderna, contempla 18 torres, sendo uma para cada um dos 12 apóstolos, 4 para os evangelistas, e as maiores, dedicadas a Jesus e à Virgem Maria. Destas, apenas seis estão semi prontas.

O interior traz vitrais e mosaicos, esculturas e chanfros inspirados em ícones cristãos que exploram as formas dos elementos da natureza. Mesmo com o barulho das obras constantes, a visita é imperdível.

Como um bar foi capaz de despertar tanta lembrança, tanta grandiosidade, em apenas sutilezas? Por isso vale a pena. Mesmo que você nunca tenha ido até lá. Mas chegue cedo - a fila na porta aumenta bastante, e o lugar fecha cedo - às 3h os garçons já arrumavam as mesas e pediam delicadamente para a gente se retirar.

Sem problemas. Tantos detalhes a olhar que não pude aproveitar tudo. Vou voltar - ao Gràcia e a Barça também, por que não?

Gràcia Bar

Rua Coropes 87 – Pinheiros
(11) 2306-5478



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Um fato inusitado: Um amigo que estava comigo pediu vodka no Gràcia,
mas serviram água. Tivemos que reclamar duas vezes para eles finalmente servirem a vodka.
Depois, o garçom veio se desculpar e explicar o mal entendido.
Tudo bem, sem problemas... Pois o atendimento foi bem bom.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Domingo, dia de verão

Se você não é de Sampa, ao pensar em um parque famoso na cidade, muito provavelmente você vai pensar no Parque do Ibirapuera, na região Sul. Entretanto, não é a única opção de área verde, livre e que traz um pouco de paz no meio da cidade.

O Parque Villa-Lobos foi inaugurado em 1994 e leva em seu nome um dos maiores compositores do país, Heitor Villa-Lobos, participante da Semana Modernista de 1922. Localizado em uma área nobre na zona Oeste, um dos grandes atrativos do parque é o aluguel de patins e bicicletas – muito apropriado para aproveitar o espaço plano e sem irregularidades da pavimentação. Assim, facilmente um final de semana ensolarado torna-se convite para sair da toca e se divertir em seus 732 m² de área verde que, inacreditavelmente, já foi um depósito de lixo.

Os preços não são aquela pechincha – por R$ 10, você fica uma hora com os patins não profissionais, e por R$ 6, com a bicicleta também amadora. Mesmo assim, vale a pena – exercitar-se em meio às árvores (que não são muitas, ok, é uma falha) e à galera praticando atividades físicas é um esforço a mais. Todos os itens podem ser encontrados na entrada principal do parque.

Acho um charme andar de patins. Só tem um detalhe uma consideração importante... Eu não sei andar de patins!!! Foi minha segunda vez, a primeira havia sido aqui, neste mesmo parque, em 2009. É engraçado ver a evolução do momento em que você coloca as rodinhas nos pés e vai como um patinho até a entrada, sofre para pular a primeira grade de escoamento da água. Aí passa aquela criança de 8 anos na maior velocidade e você decide encarar – tá bom, se ela consigo, eu também POSSO! E acaba dando certo.


Para que não é muito fã das rodas e do movimento, dá para se mexer sem tantos riscos de tombos – é possível também alugar bolas de futebol e basquete, pois o parque oferece quadras de cada uma das modalidades. Não tem desculpa – e não é a toa que grande parte dos frequentadores ostenta um belo bronzeado, um corpo saudável e o prazer de praticar alguma atividade física. [claro que tive problemas para desviar das pessoas, afinal, o parque estava lotado e eu não tenho muita habilidade em cima de dois sapatos com rodinhas enfileiradas...]

Há uma quantidade razoável de bebedouros, todos limpos e funcionando, espalhados pelo ambiente. [Tudo bem que os 500 ml de água de coco por R$ 4,50 são muito mais saborosos que a água na hora de ir embora].  Também é possível encontrar aqueles totens que liberam gotículas de água que levam embora a chapinha e o calor escaldante do verão, sabe? Faz bem. Assim como faz bem usar filtro solar #pedrobialfeelings pra evitar marcas de camisetas e relógios de pulso. Acredite – ninguém da turma que me acompanhou se livrou das marcas na pele que o domingo deixou...


Atravessar a cidade para aproveitar um dia de sol e fugir dos shopping centers, a “praia” dos paulistanos, é um programa dominical que deveria acontecer mais. Me comprometi a dar repetecos. Logo mais o verão acaba! E aí sim o cineminha, o filminho e a pipoquinha vão ficar mais gostosos no sofá preguiça do domingo de manhã.

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Legal que o que nos motivou a ir ao parque foi levar um colega inglês,
que estava em Sampa conhecendo a cidade. Ele gostou muito, mas acho que
grande parte da diversão foi assistir, Guilherme, Bruna e eu se equilibrando
nos patins... Mas mandamos bem nos últimos 15 minutos com o equipamento. Juro.
E uma das minhas intenções pro blog em 2011 é falar mais de passeios
saudáveis, menos de comidinhas. Será possível? 
Era para eu ter postado isso ontem, mas fiquei sem internet #speedyfail

domingo, 8 de agosto de 2010

E se você tivesse três dias para visitar São Paulo?

Estou me empenhando no planejamento de uma biiiiig trip [em breve, mais detalhes], de tal jeito que eu nunca fiz na minha vida. Este planejamento está tomando grande parte do meu tempo livre. Será um ritmo intenso e dias lotados em grandes cidades, onde vou ter muita coisa pra ver, sentir, experimentar, fotografar. Vou andar muito a pé e também abusar do transporte público. Sem essa de táxi.

Não contratei nenhum pacote, nenhuma agência de viagem, nadica. É tudo por minha conta. É minha viagem.  E será um tour por 38 dias em terras estrangeiras e, por tudo isso, rolou hoje um momento "aí vem o desespero" quando eu não estava conseguindo listar todas as coisas que eu preciso fazer em cada lugar. Então, pensei: e se eu tivesse apenas três ou quatro dias em São Paulo, sob as mesmas circunstâncias da viagem que estou planejando, o que eu visitaria???

Loucura - óbvio que não dá para conhecer São Paulo em tão pouco tempo. Foi quando transportei a programação em um exercício, aqui em Sampa... Aproveitar tempo e deslocamento, montar um roteiro para não perder tempo e para aproveitar cantinhos básicos das terras da maior cidade do País.

E resolvi usar blog para guiar os visitantes de primeira viagem em SP com esta programação. Pessoas que eventualmente estão passando um feriado aqui... ou um tempinho livre... Querem uma overdose cultural e histórica de uma "nativa"? Hehe, bora lá:

Dia 1 - Sábado 
Supondo que você chegou bem cedinho, ou na sexta à noite, ok? Aproveite o sabadão para ir ao centro da cidade, na região da Luz. Sábado é o dia, porque o Museu da Língua Portuguesa e a Pinacoteca do Estado são gratuitos neste dia da semana. A grana que você economizar, você vai usar depois: lembre-se que São Paulo é cara.



Em uma longa manhã (ou seja, chegando cedo e saindo bem tarde), dá para ir aos dois lugares. Não deixe de visitar a Estação da Luz, admirando a linda fachada que foi recentemente restaurada pelo projeto de revitalização do centro de São Paulo. Bonito.

Se estiver com disposição, caminhe pelo caos da rua 25 de março e compre as muambinhas pra parentada... Mas, se quiser um passeio mais humano e digno, vá direto pro Mercado Municipal de São Paulo, o Mercadão. Só o passeio aqui já vale a pena, mas não saia antes de comer o famoso sanduba de mortadela ou o pastel de bacalhau no original Hoccas Bar, a primeira barraca que ficou famosa por estes quitutes. Faz diferença - a mortadela é a Ceratti temperada e o bacalhau é o original português. Os preparos ainda são os mesmos que lhe trouxeram a fama, surrupiada por tantas outras barracas que dividem o espaço por ali. Só uma dica - nem pense em ficar estressado com a muvuca, de sábado é tudo cheio mesmo, ainda mais no espaço mezanino, reservado para os deliciosos comes.

Outra dica do Mercadão, antes de sair de lá com a pança cheia, é a barraca das gotas de chocolate. Eu não sei o nome, mas sempre vou quando estou ali - na entrada principal, vire à direita no primeiro corredor. É a primeira barraca depois da dos peixes. O vendedor vai te deixar provar todos os sabores antes de você decidir que vai levar todos eles alguns pra casa.

Dali, vá ao Mosteiro de São Bento, construção histórica onde o papa Bento XVI ficou hospedado quando veio ao Brasil. Não sei se hoje está aberto à visitação, mas me lembro de ter ido a uma exposição lá que já relatei em um post aqui.

Se ainda houver fôlego, caminhe pelo centro, onde ficam os famosos edifícios de Sampa - o Banespa, o prédio da Bovespa, o Centro Cultural Banco do Brasil. Dá para pegar uma exposição ou uma sessão de cine. Termine o dia no boteco Salve Jorge, da maneira bem paulistana - chopp, caipirinha e petiscos. [o boteco é dica minha, mas na região há várias opções]



Dia 2 - Domingo

Domingo é dia de Avenida Paulista. Vá de manhã, para pegar a feirinha do vão livre do Masp, que eu também já descrevi num post. Claro, visite o Masp!!! Vale a pena o acervo. Depois, passeie no Parque Trianon - recentemente revitalizado, também ganhou aquele trato de beleza e não é mais perigoso como era conhecido antes. São árvores centenárias no meio da selva de pedra.



Escolha algum restaurante da região para almoçar - não é difícil, pela Alameda Santos são muitos, com opções até de fast food para os viciados em comida ruim. Andar pela Paulista de domingo é charmoso, é uma delícia.... Vá pelo menos até a Augusta, onde você vai ver todo tipo de gente, de todo tipo de tribo. Já que você está mais ou menos no final da Paulista, dê uma paradinha na Livraria Cultura do Conjunto Nacional - um espaço bem bonito para descansar e tomar um café. Mais um lugarzinho pra comprar lembrancinhas pra parentada - quiosques de souvenirs ou até um livrinho. Aqui você corre até o risco de ver algum famoso passeando. E é importante ser no domingo porque, além da feirinha de antiguidades sobre a qual eu já falei, não tem aquele empurra-empurra de um monte de gente apressada indo e voltando do trabalho.

Dali, pegue um ônibus e passe o fim da tarde no parque do Ibirapuera. Antes de entrar no parque, tire a foto em frente ao famoso monumento "deixa que eu empurro", que na verdade é o Monumento às Bandeiras, que foi esculpido por Vitor Brecheret... E observe bem, veja que na verdade eles não estão empurrando nada, tá? As "cordas" que eles seguram na verdade estão frouxas... Hehehe... Importante: é proibido subir no monumento, tá? Sei que "todo mundo sobe", mas seja um turista legal.



No Parque do Ibirapuera, relaxe. Sente à beira do lago, não alimente os patos, divirta-se olhando os diferentes tipos de pessoas que caminham e correm com seus cachorros. Dá para alugar uma bike e dar umas voltinhas em meio ao verde.

Aproveite este dia para sair à noite - além de menos movimentado que o sábado, você vai acordar um pouco mais tarde no dia seguinte (você vai entender o por quê). Eu sugiro um cinema ou um teatro, típicos passeios paulistanos. E/ou a pizza: São Paulo é a cidade deste prato, e há quem diga que fazemos melhor que os próprios italianos.



Dia 3 - Segunda-feira
Último dia! Comece pela Catedral da Sé, no centrão. Mas não deixe pra ir cedo demais - a estação de metrô é uma das mais lotadas da cidade, aquela loucura que quem é de fora vê na TV. Pegue o metrô depois das 9h30 que é sucesso garantido.

Depois da Catedral, caminhe até o solar da Marquesa de Santos, construído a pedido de D. Pedro para sua famosa amante, onde ela passava os dias quando não estava no litoral. O solar oferece uma exposição permanente (que, se não me engano, é de graça também). De lá, pertinho é o Pátio do Colégio - onde a cidade foi fundada. No interior da construção histórica, há um restaurante agradável, bom para o almoço e recarregar as energias.

À tarde, de metrô até a estação República, para visitar o Edifício Copan, projetado por Oscar Niemeyer, é o maior condomínio de todo o País. São milhares de moradores em centenas de apartamentos, um cartão postal da cidade. No térreo, há uma galeria com lojinhas e cafés e (incrível!) uma das únicas barbearias que sobraram em Sampa. Sim, bar-bei-ros, que fazer a barba dos homens com navalha. Aquela coisa que você só viu seu vô fazendo um dia.



Ali na região, não se esqueça de visitar o Terraço Itália e o famoso cruzamento da Ipiranga com a Avenida São João, que inspirou Caetano na musiquinha da Terra da Garoa. Na esquina fica o Bar Brahma, uma boa opção de lugar paulistano, mas é fechado às segundas. Vai ficar para a próxima.

UFA! Só de pensar, já deu pra sentir a correria intensa que eu vou passar durante meus 40 dias de férias. E olha que eu podia elencar mais uns 15 pontos imperdíveis de São Paulo... Não dá para fazer tudo ao mesmo tempo. Pensando nisso, acho que me tranquilizo - precisaria de 10 dias, no mínimo, para ter uma noção minúscula do que é cada cidade. E se eu achasse um nativo que fizesse um roteirinho básico como eu fiz aqui, já ajudava.

Além disso, a grande inspiração desta postagem veio do meu namorado, que disse que eu podia ser uma guia turística da cidade porque eu azucrino e encho o saco dele e sempre fico contando histórias de cada lugar por onde a gente passa. :)

C'est revenir a mon voyage...

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Serão as minhas primeiras férias da vida. A primeira grande viagem também.
Estou entusiasmada, ansiosa, pronta pra me acabar e descansar bem pouco
Acho que sinto como um objetivo conquistado na vida, é uma sensação
muito boa, só não vai ser melhor do que quando eu estiver lá.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Foto, feira e futebol

Tantas pessoas aqui em São Paulo acostumadas a comprar frutas, legumes e verduras nos supermercados e grandes redes que pensar em feira é algo bem distante da realidade urbana. Uma bobagem, porque a cidade tem feiras bairristas onde ainda é possível experimentar pedacinhos de frutas para garantir que estão doces, pechinchar precinhos e, claro, ouvir aquelas cantadas engraçadinhas dos feirantes.

Uma das mais conhecidas é a Feira do Pacaembu, em frente ao estádio (que dizem ser municipal, mas dá pra falar que é como uma casa do Timão). Todas as manhãs de sábado, barracas de peixes, frutas, legumes e flores lotam a praça. Para os comes e bebes, o tradicional pastel e caldo de cana. Duas barracas são recomendadas: a da Dona Maria, que foi eleita há pouco tempo o melhor pastel de feira de São Paulo, e a Barraca do Zé, que é indicada pela Vejinha.



No último sábado participei do Scott Kelby's Worldwide Photo Walk, um evento no qual grupos de fotógrados (profissionais e amadores) se reúnem para capturar imagens de um determinado local, em diversas partes do mundo. As pessoas se encontram pela internet - qualquer um pode organizar um photo walk em sua cidade, e não precisa ser membro de nenhuma comunidade para participar: basta se inscrever no site do projeto, procurando o lugar onde você estará na data. Este foi liderado pelo João Junqueira, mas não foi o único aqui na cidade - o outro foi no Parque do Ibirapuera, mas achei bem clichê fotográfico... É o terceiro ano do evento, minha segunda participação. E é claro que, além de tirar fotos, aproveitei pra dar aquela turistada.



O estádio fica aberto para visitação quando não tem jogo, e dá pra chegar bem pertinho do campo. Até quem não gosta de futebol fica meio bobo tentando imaginar todos os lugares ocupados por torcedores ensandecidos, pulando e cantando. Mas não dá para não criticar - em caso de Copa do Mundo, muitas mudanças precisam ser feitas.

Primeiro porque não é coberto - choveu, molhou. Segundo porque a arquibancada geral, mesmo sendo numerada, não tem assentos. A segurança parece ser tão fraca - apesar do fosso e proteção, consigo visualizar algum maluco tentando entrar no meio do campo pra agredir, tietar ou simplesmente ter contato com algum jogador. E alguém respeita assento em estádio aqui no Brasil? Mudança básica, que começa na educação.

Sei que o primeiro da lista é o Morumbi, ainda tem aquele projeto de construir um estádio em Pirituba. Mas, na boa? Por que não investir num estádio que já é municipal, que já tem história, que faz parte da cidade e não tem envolvimento com clubes, em uma área onde o acesso já é mais tranquilo - com diversas linhas de ônibus e razoavelmente próximo à linha verde do metrô? Não dá pra entender.

Sem falar que o lugar é bonito. E tem o Museu do Futebol, o qual não conheço (me chicoteiem, por favor) e não deu tempo de visitar porque tinha um compromisso à tarde.

Fiquei imaginando os turistas estrangeiros na feira de manhã, no museu à tarde e à noite, quem sabe, uma partida. Por que não? Ah, São Paulo, esperava mais de você.


Feira do Pacaembu, Estádio Paulo Machado de Carvalho e Museu do Futebol.
Praça Charles Miller, s/nº.

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Quer ver as fotos da feira? No meu Flickr está minha seleção. Ainda vou
postar mais algumas - você pode acompanhar meus cliques sempre
no rodapé do blog. Pode acessar também o link da minha página ou a do grupo.

terça-feira, 6 de julho de 2010

No Centro, olhe para cima

Para quem está acostumado com a rotina de trabalho, o dia a dia corrido e apressado, olhar para cima parece uma loucura. Afinal, em São Paulo, é tão comum encontrarmos pessoas olhando para baixo... Para que ao olhar a frente seu olhar pode cruzar os olhos de quem vem ao seu encontro, o que é quase um afronte. Cada um em seu umbigo? Cada um com seu pedaço de chão? Mal sabem eles que todos têm um pedaço de céu - bem maior, mesmo que sufocado por tantos edifícios que cortam o horizonte.

E por que não observar estas lâminas? Venho fazer-lhes uma proposta: olhem para o céu. Principalmente no centro de São Paulo, com seus edifícios imponentes, que quiseram mostrar poder econômico de uma outra maneira, diferentemente da qual estamos acostumados.

Banco de São Paulo, Vale do Anhangabaú

Quando eu olho para cima, praticamente escuto bondes e murmurinhos do passado. Fico imaginando quando estes prédios se ergueram, a sensação e a pequenez que as pessoas sentiram lá em baixo - afinal, esta altura era realmente grandiosa. Janelas, mármores e granitos arquitetados para impressionar.

Depois desta proposta, agora, um convite. Suba ao céu. Se é de segunda a sexta-feira, das 10h às 15h, não deixe de subir ao céu pela trajetória ao seu alcance - o Edifício Altino Arantes, ou a Torre do Banespa (banco que nem existe mais, mas seu nome será eterno nesta construção). Inaugurado em 1947, já foi uma das construções mais altas da cidade. Hoje, lá em cima, neste horário, dá para olhar para baixo e brincar de encontrar pontos históricos. Dá para ver a triste e cinzenta camada de poluição. Dá para ver até o olhar perder a vista. E que vista.

E só de lá de cima, olhando para baixo, dá para ver paisagens lá de cima que, de baixo, olhando para cima, não conseguimos enxergar. Confusão tamanha ao encontrar um jardim suspenso, no topo de um prédio em pleno centro de São Paulo, com um gramado e uma árvore. Sem caminhos, sem cadeiras, sem pessoas. Um jardim deserto em meio a uma floresta de concreto para o qual não consegui nenhuma explicação.

Embaixo das raízes trabalham pessoas, sentadas em suas baias e mesas de tons mortos, que decoram paredes com natureza morta?

E neste contexto maluco elas vivem, talvez sem nunca terem olhado para cima, talvez sem nunca terem ido lá em cima, talvez sem terem reparado no céu... (Se alguém descobrir que prédio é este e o que faz este jardim aí, agradeço.)

A Torre do Banespa é um passeio daqueles que, mesmo sem companhhia, vale a pena.

O ruim é que, depois de uma longa espera, só é possível passar dez minutos no terraço, que fica no 34º andar, em pequenos grupos de cerca de quinze pessoas. Muitos podem até achar bobagem, devem inclusive trabalhar em edifícios comerciais mais altos que este, devem ver uma paisagem talvez até mais longínqua... Mas não são no Centro, no coração da cidade, no topo da história, de onde se vê tantas referências paulistanas abaixo de seus pés.

E não deixe de tirar uma foto lá de cima. É o básico.


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Ainda fico inconformada como tem gente que mora aqui e não conhece o Centro!
Não que eu consiga me localizar naquelas ruas - que pra mim são todas iguais. Mas parece
que o lugar tem até um cheiro diferente para mim, de tão familiar que é.

domingo, 4 de julho de 2010

Dia de boteco

O bairro da moda dos botecos e barzinhos em São Paulo é a Vila Madalena, que apesar de suas ótimas opções, dá nos nervos de alguns paulistanos: é só pensar no trânsito para chegar lá, no vuco-vuco para circular lá e no tempo perdido nas longas filas de espera, que muitos desistem de sair de casa. Pois a cidade tem agradáveis surpresas em bairros nem tão conhecidos até mesmo de quem mora aqui... É o caso do Largo da Matriz da Nossa Senhora do Ó, a pracinha escondidinha onde fica o boteco com cara de restaurante que serve a coxinha mais crocante e deliciosa deste mundinho de Deus: o Frangó.

No Largo Nossa Senhora do Ó: claro, toda pracinha tem uma igreja

Para chegar, fácil: suba uma travessa da Av. Edgar Faccó, na altura da Ponte do Piqueri, na Marginal Tietê. Não se deixe contaminar pela paisagem cinza de um bairro nada charmoso no caminho, pois nos arredores do largo, a paisagem se transforma. Em uma vizinhança agradável e com o mesmo jeito interiorano da Vila, a Freguesia se revela.

Na praça, vários botecos com mesas nas calçadas tentam o paulistano em um final de semana despretencioso. Mas não deixe de entrar neste casarão do século XIX, com suas paredes verdes convidativas. Para chegar ao salão principal, o cliente desce uma escada e parece estar entrando no porão do estabelecimento... É tudo muito aconchegante, com uma overdose de informação nas paredes: cartazes de cervejas de todos os lugares do mundo ambientam o bar. É um dos poucos botecos nos quais é recomendado não sentar-se à calçada, e sim, lá dentro.


E a família comemora com estilo os 50 anos do paizão

Não dispense a porção de coxinhas. Vale cada mordida, inclusive provoca o debate filosófico, propício para uma mesa de boteco: começar por onde, pela pontinha ou pela bundinha? Pela pontinha que nos pega pelo crocante irresistível? Ou a bundinha que traz a generosa porção de catupiry e o saboroso frango temperado, ao contrário daquela carne colorida de vermelho que os botecos convencionais colocam no recheio para nos enganar?


 Detalhes das paredes: cervejas do mundo todo

Na carta de bebidas, cervejas, cervejas, cervejas... Todas. Mesmo. Mas a caipirinha é feita ao ponto e também é imperdível. O Frangó foi eleito seis vezes pela Vejinha o melhor boteco de São Paulo e tem à disposição dos mais curiosos um livro charmoso com os pratos famosos e a história da casa.

Uma boa pedida para um sábado à tarde para quem não fica só nos petiscos e emenda o almoço - o que é muito comum - é o tradicional frango assado na brasa, acompanhado de polenta. Irresistível, no cardápio está recomendado para duas pessoas. Entretanto, depois das coxinhas, serviu bem à minha família no aniversário de meu pai: seis.

Bem frequentado, por famílias e grupos de amigos, o ambiente de bar se assemelha a um restaurante, que na medida consegue a informalidade de um boteco sem o barulho infernal destes ambiente. Mas guarda os caprichos e o serviço de um bar competente, para quem gosta de desvendar horizontes de São Paulo.

Frangó: Largo da Matriz Nossa Senhora do Ó, s/n. Tel: 3932 4818.
Abre todos os dias da semana, exceto às segundas-feiras.



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Eu adoro coxinha, eu adoro comer, adoro caipirinha...
E acho que dia de boteco é sábado à tarde. Acho um crime quem mata o sábado à noite assim.
A noite é para a baladas dos solteiros, ou o sofá com filme dos namorados.

domingo, 11 de abril de 2010

Passeio Dominical

Em São Paulo, não há desculpa para o tédio dominical vespertino - aquela preguicinha básica que nos assombra depois da tradicional macarronada da mamma de almoço. Claro que uma sonequinha sempre faz bem, mas aproveite o dia de folga para passear em um dos cenários mais paulistanos desta cidade cinza.

Sempre deliciosa, a avenida Paulista em si já é um bom passeio. Ainda mais interessante, suas feirinhas de domingo... Começando pela estação Trianon Masp do metrô (linha verde), siga a caminhada pelo sentido Consolação.

1. Feirinha de Antiguidades do Masp 

Foto: Eliana M.

Porcelanas,  pratarias, tapeçarias, bibelôs, bijouterias, quadros, joias... A infinidade de coisinhas encontradas no vão livre do Masp (que só por ser o lugar que é, já é uma atração) das 9h às 17h impressiona. Os preços são [bem] salgados, mas só de olhar já é um encanto aos olhos. E você pode dar a sorte de encontrar uma vovó simpática que conta histórias de cada pecinha em sua barraquinha de vendas.

2. Feirinha do Trianon 

Foto: Eduardo Loureiro

Bem menor, em frente ao Parque Trianon - e também ao Masp. Devido à revitalização recente do parque, é um colorido que vale a pena. O cheirinho do pastel constante (sim, tem pastel, e é uma delícia!) que desaparece em bocadas enquanto você olha as bolsas de pano, as roupas de pano, o artesanato de cabaça... a diferença entre a feirinha do Trianon e a do Masp, logo em frente, é que não tem antiguidades, mas sim produtos contemporâneos com carinha "natural". Aos domingos, das 9h às 17h também.

3. Feirinha do Shopping Center 3

Fotos: Roberto Sena

Aqui, tudo de mais moderno que atrai pelo design, pela exclusividade, pelo kitsch. Descolada, é bom pra encontrar qualquer coisa de super estiloso que você nunca pensou que precisava ter, mas precisa e te enlouquece. Eu fiquei fascinada pelos chapéus e pelas bijous com cara de artesanais, mas super modernas, que misturam pedrarias, prata e palha. Aos domingos, começa às 11h e vai até o fechamento do shopping. Por ser neste ambiente, em seus dois pisos, a vantagem é que se a garoa paulistana começar, você continua seco.  O problema é o aperto, o empurra-empurra, e o ambiente asséptico do shopping center que destoa totalmente da ideia de feirinha... mas é uma boa pedida para encerrar a caminhada pela avenida. Torça para ainda restar alguns troquinhos na carteira... Se já tiver gastado tudo nas outras feirinhas, quase todos os estandes desta aqui aceitam cartão de débito Visa.


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Claro que eu fiz estes passeios hoje, claro que eu quis comprar muita coisa.
Entretanto, quem ganhou presente foi o namorido, e eu to namorando um chapéu
até agora, achando um absurdo ser tão caro... mimimi ;(
Desta vez, me arrependi de não levar a câmera fotográfica.

sábado, 28 de março de 2009

Entre, leia e fique à vontade

Incrível é visitar uma livraria. Não aquelas tradicionais, nas quais se escolhe o livro, leva ao caixa, põe na sacolinha e vai pra casa. Ou que o vendedor cola em você e dá palpites, impede que você folheie o livro - alguns deles ficam até com aquele plástico fechado. Falo das livrarias graciosas em São Paulo, as quais abrigam ambientes com poltronas, puffs e almofadas para que os clientes leiam lá mesmo. Em especial, duas delas são minhas preferidas - a Fnac, na Paulista; e a Livraria Cultura, no Conjunto Nacional.


Livraria Cultura

Uma das entradas. A livraria é separada por sessões, e só contemplar o espaço já é um belo passeio.


Eu sempre questionei o porquê de elas existirem. Qual o sentido de permitir ao leitor desfrutar ali mesmo da literatura, retirando a necessidade de comprar o livro?

Descobri hoje. Combinei de encontrar uns amigos e acabei chegando mais cedo do que o esperado - viva a rapidez e a eficiência do metrô de São Paulo. Resolvi passar na Livraria Cultura... espaço lindo, gigante e bem frequentado por gente de todos os tipos e idades. Dá pra ficar horas só observando as roupas que as pessoas usam, dos senhores engravatados aos adolescentes modernos com franja no rosto.

Fiquei curiosa observando Dan Stulbach conversando com alguns clientes (ele havia acabado de dar uma palestra lá e sim, é muito parecido com o Tom Hanks), depois a Marimoon conversando com umas pessoas. Depois de um tempo, vi o Jairo Bouer. Fugi do tumulto causado por pessoas famosas, estava começando a incomodar. Peguei um livro de poesia e sentei num puff rosa.

A vantagem de um espaço de leitura é conhecer autores. Eu não compraria o livro que eu peguei para ler - Memorial de la Isla Negra, de Pablo Neruda. Não pela qualidade da obra, mas porque não tenho o hábito de ler poesia, prefiro ler prosa. Entretanto, gostaria muito de ler poesias do Neruda, originais, em espanhol. E não consigo confiar nos textos que encontro na web atribuídos a escritores famosos... alguns textos circulam na web assinados por Drummond, Veríssimo, Neruda (e outros) cuja autoria é questionável. Foi uma boa introdução, deu pra ler umas páginas e se tivesse mais tempo com certeza leria o livro inteiro.

O espaço agradável também é referência para voltar quando se pensar em comprar alguma coisa. Referência pra encontrar amigos, ir a eventos. É agradável, em outras palavras. E é cultura, de graça, acessível. Um dia movimentado de coisas da capital.
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Ah, vale a pena a visita por causa da beleza da arquitetura do local.
Sempre há exposições - atualmente está em cartaz uma série de paineis
sobre a história da Fundação Padre Anchieta e TV Cultura.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Típico de turista

Hoje entrei na Catedral Metropolitana da Sé (ou seja, na Catedral da Sé). Acho não entrava lá há uns 13 anos, pois me lembro bem que, da última vez, eu ainda andava de mãos dadas com meu pai.

Chovia, por isso todas as pessoas que normalmente ficariam sentadas na escadaria central estavam de pé, na porta da igreja. E talvez pelo mesmo motivo havia muita gente lá dentro.




portas da sé

As pessoas, ao se abrigarem da chuva dentro da Catedral, Dão as costas à sua beleza neogótica.


O lugar é muito bonito e eu fico triste por saber que muita gente que passa em frente à Catedral todos os dias dá pouquíssima importância para a história da construção. Mal olha a sua arquitetura gótica, mal sabe ou procura saber da sua história. A obra foi projetada pelo arquiteto alemão Maximilian Emil Hehl,. O interessante é que ela começou a ser construída em 1589 e só foi terminada em torno de 1616.

Turismo difícil
Embora com pressa, entrei, tirei umas fotos, sentei um pouquinho. Fiquei sabendo depois que há uma visita guiada todos os dias e custa apenas 4 reais. Acontece que, lá na Catedral, não há um aviso sequer divulgando a atração, um guia uniformizado, não há nada orientando os turistas e informando sobre a história desse monumento importante. Não vi uma placa, um folheto, nada impresso sobre a Catedral da Sé, conhecida internacionalmente pela sua beleza.

Como é de praxe, muitos estrangeiros visitavam o local e infelizmente fico pensando que certamente eles se decepcionaram.Não tenho grande vivência internacional, mas acho que em outros países não é bem assim...



velas e santo



Um recorte bonito que diz muito da fé bonita de quem vai à Catedral para rezar.
(Eu adoro fotografar...)


Falando nisso...
O programa para o qual sou repórter,
Fiz+Sotaques, está no ar esta semana
com uma
edição especial internacional, que fala justamente sobre a visão que os estrangeiros têm do nosso país.
Vale à pena assistir
aqui.