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terça-feira, 24 de março de 2009

Madrugada de memórias

Durmo menos. Talvez para compensar o tempo no transporte diurno. Assim, fico acordada na madrugada, seja lendo em minha cama ou escrevendo na sacada, sentindo a vida lá na rua.

A cidade depois da meia-noite se revela misteriosa. As ruas não ficam desertas, apenas menos movimentadas. Sons camuflados se revelam audíveis às insônias mais desatentas, e o apito do guarda noturno do meu bairro soa como um grito que espanta sujeitos mal-intencionados.

O motor da motocicleta mexe com o silêncio. O salto da senhorita solteira bate forte no chão e me desperta. A voz da briga do casal vizinho expõe suas intimidades a nós, madrugadores. Os cachorros latem e incomodam a quem quer dormir. E eu? Escuto, observo, guardo.

Quantas vidas empilhadas que repousam, quantas além de mim que escutam? Será mesmo que a cidade dorme?

Eu durmo menos. Construo uma cidade de memórias com os fragmentos das vidas com as quais encontrarei mudas, invisíveis e distantes no burburinho matinal de São Paulo.

5 comentários:

Nenê disse...

Eu também escuto. Mas vez ou outra também berro da sacada.

Vivian Paulino disse...

Eu adormecia enquanto você construia uma cidade de memórias!

Henrique Hemidio disse...

Eu não escrevi o texto pra vc, meu bem
por isso não vou perder tempo com divagações
respeito a profissão
e se vc aplica mesmo a ética no que faz
parabéns
tem meu respeito
Abraço!

maiconbock disse...

Um dos meus ultimos posts é justamente sobre tempo.

Tô aqui pq li seu ótimo comentário em um blog que um rapaz critica os jornalistas. Parabens pela resposta! De personalidade.

Abraço ae

Jonathan Flexa disse...

O final é bonito
Você poderia mudar prum lugar mais calmo ou comprar um protetor auricular...
A menos que goste desses sons =0