Durmo menos. Talvez para compensar o tempo no transporte diurno. Assim, fico acordada na madrugada, seja lendo em minha cama ou escrevendo na sacada, sentindo a vida lá na rua.
A cidade depois da meia-noite se revela misteriosa. As ruas não ficam desertas, apenas menos movimentadas. Sons camuflados se revelam audíveis às insônias mais desatentas, e o apito do guarda noturno do meu bairro soa como um grito que espanta sujeitos mal-intencionados.
O motor da motocicleta mexe com o silêncio. O salto da senhorita solteira bate forte no chão e me desperta. A voz da briga do casal vizinho expõe suas intimidades a nós, madrugadores. Os cachorros latem e incomodam a quem quer dormir. E eu? Escuto, observo, guardo.
Quantas vidas empilhadas que repousam, quantas além de mim que escutam? Será mesmo que a cidade dorme?
Eu durmo menos. Construo uma cidade de memórias com os fragmentos das vidas com as quais encontrarei mudas, invisíveis e distantes no burburinho matinal de São Paulo.
5 comentários:
Eu também escuto. Mas vez ou outra também berro da sacada.
Eu adormecia enquanto você construia uma cidade de memórias!
Eu não escrevi o texto pra vc, meu bem
por isso não vou perder tempo com divagações
respeito a profissão
e se vc aplica mesmo a ética no que faz
parabéns
tem meu respeito
Abraço!
Um dos meus ultimos posts é justamente sobre tempo.
Tô aqui pq li seu ótimo comentário em um blog que um rapaz critica os jornalistas. Parabens pela resposta! De personalidade.
Abraço ae
O final é bonito
Você poderia mudar prum lugar mais calmo ou comprar um protetor auricular...
A menos que goste desses sons =0
Postar um comentário